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Fardas e Uniformes
Isilda Pelicano veste o Euro’2008
Quem criou o vestuário para a nossa Selecção? responsável pela produção da imagem oficial de todo o staff do Euro'2004, a estilista portuguesa Isilda Pelicano deu o salto e ganhou o concurso para vestir o próximo campeonato europeu de futebol, que se realiza em 2008, na Áustria e na Suiça. Seleccionada - entre oito companhias de design a concurso pela UEFA, Isilda era a única representante do estilismo português a concurso, tendo vencido e deixado de fora alguns nomes sonantes da moda mundial. «Quando se parte para um concurso internacional nunca se está à espera de nada. A grande surpresa neste processo foi o facto da UEFA ter convidado uma designer de moda portuguesa para participar no concurso internacional para os uniformes do Euro 2008, em competição com cerca de 12 concorrentes estrangeiros. A grande dificuldade é essa mesmo, haver possibilidade de os grandes (no sentido de muito fortes) países da Europa convidarem designers portugueses - que não são propriamente muito conceituados no estrangeiro por ter bom design - a participar em concursos desta dimensão. Essa foi a minha primeira grande vitória», salientou Isilda Pelicano.
Mas desenhar fardamentos, presupõe determinados cuidados, sobretudo quando a designer já produziu a imagem da edição anterior, realizada em Portugal. Deste modo, é inevitável questionar as diferenças entre o que foi feito e o que será produzido. «No Euro' 2004, o fardamento tinha uma base em castanhos, azuis e laranjas. Já, a nossa proposta actual baseia-se numa paleta de cinzentos, mesclada com muitos apontamentos de vermelho (desde o forro dos casacos) aos cintos, malas, luvas, passando pelos lenços onde se mistura com branco - numa alusão expressa à cor das bandeiras dos dois países - juntando- se rosa velho na cor das camisas e bordeaux nas gravatas. Mais uma vez é uma imagem forte, muito longe dos antigos padrões da UEFA, que conjuga uma imagem sóbria para o vestuário masculino mas contrapondo uma imagem mais ousada e moderna no vestuário feminino e no grupo dos mais jovens», esclareceu a estilista.
Há 15 anos no mundo da moda, a aposta na produção de fardas não surgiu, porém, ao acaso. Tratou-se sobretudo de um complemento evolutivo da carreira da estilista que teve a sua primeira experiência na àrea através da produção de fardas para a Central de Cervejas. Mas rapidamente passou a colaborar com nomes como a Loja do Cidadão, Portugal Telecom e com a Selecção de Angola. Mas a estilista - que não vive apenas de colaborações - orgulha- se igualmente do sucesso e balanço que faz da sua marca em nome-próprio. «É positivo, o balanço que faço da notoriedade da minha etiqueta, assim como da solidez da minha empresa que se tem norteado pela utilização de matérias-primas de muito boa qualidade em que predominam os tecidos de fibras naturais.
Este facto aliado a uma confecção de bom nível, naturalmente que leva a que as peças que criamos - longe de serem ou pretenderem ser elitistas - são destinadas seguramente a uma clientela que poderíamos classificar como de classe média/alta e em que predominam sobretudo mulheres que sabem e gostam de escolher por si, e que têm personalidade para assumir as suas escolhas», acrescentou Isilda Pelicano. Sempre com os pés bem assentes na terra, a designer não tem na internacionalização um objectivo. Mas tal não significa estar fechada a novas oportunidades, que se mostrem aliciantes. «Há que ter consciência que vender no estrangeiro implica um investimento forte para divulgar a marca e isso não está ao nosso alcance. Estamos, sim, atentos a oportunidades que possam surgir para mostrar as nossas colecções noutros mercados. Recentemente surgiu a possibilidade de abrir um showroom em Nova Iorque (apoiado por um parceiro local) para dar a conhecer a colecção Primavera/Verão 2008. É um primeiro passo e a receptividade tem sido grande», explicou a estilista. Apostando sempre no pormenor, no arrojo e na qualidade, o futuro parece promissor e para além da "certeza" do sucesso no Euro'2008, o objectivo é continuar. «Felizmente faço o que gosto e isso é uma grande motivação.
Espero, portanto, conseguir fazer evoluir a minha etiqueta para patamares mais elevados e continuar a ser solicitada para desafios e projectos pelo menos tão interessantes como aqueles que tive até hoje», concluiu Isilda Pelicano.
Fonte: A Voz de Portugal
